O dia revela uma dinâmica comum às democracias em turbulência: gigantismo institucional que não funciona (Cantareira), seletividade discricionária da justiça (Trump), fragilidade estatal em contextos frágeis (Níger) e opacidade de financiamento político (Farage). A narrativa oficial — pela Globo, pela imprensa internacional — oferece interpretações convenientes sem questionar a raiz comum: o Estado ampliado que não entrega segurança, água ou justiça previsível, ao mesmo tempo que protege corporações e financistas obscuros. Bastiat e Hayek compreendiam que essa incoerência não é acidente, mas consequência necessária de concentrar poder sem limite: governos simultaneamente impotentes (para resolver crises) e onipotentes (para perseguir desempregados). O cidadão vigilante deve desconfiar menos de políticos individuais e mais dessa arquitetura perversa que permite trapacear para alguns e criminaliza bagatelas para outros.